A aprendizagem baseada em problemas (ABP) é uma metodologia ativa de aprendizagem que traz vários benefícios para os estudantes, professores e a sociedade em geral.
Neste método, os alunos são desafiados a resolver problemas relacionados à vida real, aplicando conhecimentos de diversas áreas, o que fomenta a autonomia e a capacidade de investigação.
Se a sua escola ainda não utiliza essa metodologia ou não usufrui de toda a potencialidade que ela tem, esse conteúdo é para você. Vamos mostrar as principais vantagens da ABP e te ajudar a colocá-la em prática no dia a dia da sua instituição.
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O que é a aprendizagem baseada em problemas?
Segundo o doutor em Educação Luis Ribeiro, a aprendizagem baseada em problemas (ABP) é uma metodologia de ensino que utiliza um problema da vida real para iniciar a discussão de um conteúdo.
Ela motiva os estudantes a refletirem, pesquisarem e resolverem uma situação-problema de forma criativa e autônoma, com direcionamento do professor.
As principais características da ABP são:
- a busca pela aprendizagem significativa;
- a indissociabilidade entre teoria e prática;
- o respeito à autonomia do estudante;
- trabalho em pequenos grupos;
- educação permanente;
- avaliação formativa.
O método surgiu na década de 60, no Canadá, na escola de Medicina da Universidade McMaster. No Brasil, as primeiras experimentações ocorreram na década de 90, também no Ensino Superior.
Anos depois, os benefícios percebidos com a aplicação da metodologia levaram educadores a utilizarem a ABP em escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Os princípios da ABP são baseados nas ideias do psicólogo Jerome Bruner e do pedagogo John Dewey.
Para Bruner, a aprendizagem era o resultado de três processos que ocorrem quase simultaneamente:
1. Aquisição de nova informação que confirma ou contradiz as informações prévias do aluno;
2. Transformação das ideias em adaptação à nova informação;
3. Avaliação da adequação da informação.
Para que esse processo aconteça, porém, é necessário que o aluno tenha vontade de aprender, o que pode ser desencadeado pela curiosidade e pelo interesse na descoberta.
Já John Dewey dizia que o conhecimento se inicia por um problema e se encerra com a resolução dele, passando por um processo indagativo e reflexivo.
Vantagens da ABP
A aprendizagem baseada em problemas tem várias vantagens em relação às metodologias tradicionais de ensino e as aulas expositivas. Veja abaixo:
- Desperta o interesse dos estudantes pelo aprendizado;
- Coloca o estudante no centro do processo de aprendizagem, de forma ativa;
- Fomenta a autonomia, a capacidade de pesquisa e a habilidade de aprender a aprender;
- Evita a dissociação entre teoria e prática na educação;
- Prepara os jovens para os desafios do mercado de trabalho;
- Incentiva o protagonismo juvenil;
- Desenvolve competências interpessoais como colaboração, trabalho em equipe e comunicação;
- Promove o pensamento crítico e a criatividade;
- Favorece a interdisciplinaridade;
- Gera uma aprendizagem significativa, com maior capacidade de retenção das informações, por muito mais tempo;
- Ajuda os professores a relacionarem os conteúdos apresentados em sala de aula com as necessidades e os problemas da atualidade;
- Beneficia a sociedade com cidadãos e futuros profissionais aptos a solucionarem problemas, em prol do bem-estar social;
- Está totalmente alinhada às competências gerais da Educação Básica da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Como aplicar o método de aprendizagem baseada em problemas?
Para aplicar a ABP, é necessário dividir os estudantes em pequenos grupos. Cada grupo irá escolher um líder, responsável pela avaliação do comprometimento de si mesmo e dos colegas, junto com o professor.
O processo da aprendizagem baseada em problemas é dividido em seis etapas:
1. Apresentação do problema
O docente apresenta e contextualiza a situação-problema. Mais adiante neste artigo, citamos alguns exemplos de situações-problema que você pode utilizar na sua escola.
Os alunos conversam entre si sobre o problema e elaboram um relatório parcial, contendo as principais informações do caso e os assuntos que devem pesquisar.
Esse documento é revisado pelo professor, que também orienta os estudantes sobre os próximos passos.
2. Pesquisa e análise das soluções
A partir do relatório parcial, os grupos dão andamento na pesquisa. Eles podem consultar livros, artigos, vídeos e áudios, a fim de entender os conceitos relacionados ao problema.
Depois, os estudantes discutem possíveis soluções para o problema, bem como as implicações éticas de cada uma.
O grupo deve entrar em consenso sobre a melhor solução, considerando todos os prós e contras, custos financeiros, tempo de execução e outros fatores.
3. Elaboração do relatório final
Na terceira etapa, os estudantes redigem um relatório final sobre o caso, explicando a resolução do problema.
O documento deve justificar a decisão do grupo, baseando-se em fontes bibliográficas, argumentos, estatísticas, pesquisas científicas e fatos históricos.
4. Apresentação para a turma
Além de escrever o relatório final, os estudantes fazem uma apresentação para toda a turma, compartilhando os conhecimentos adquiridos.
5. Relatório do Líder
O líder de cada grupo faz uma avaliação de si mesmo e dos seus colegas, acompanhado do professor, em um documento denominado Relatório do Líder. O objetivo é identificar pontos de melhoria e sugerir estratégias para superação das dificuldades do grupo.
6. Fechamento
Todos os relatórios são corrigidos pelo docente, que deve dialogar com os estudantes sobre as notas recebidas em cada etapa e dar a oportunidade de rever seus erros e aperfeiçoar os relatórios.
Ao final, o professor realiza uma aula expositiva, a fim de aprofundar os conceitos estudados.
Exemplos de situações-problema
A definição da situação-problema é uma das partes mais desafiadoras da aplicação da ABP. Isso porque ela exige criatividade e planejamento minucioso do professor, de acordo com as competências e habilidades da BNCC.
A situação-problema pode envolver diversos temas e áreas do conhecimento, desde que seja interessante, desafiador e apropriado para o nível de aprendizagem dos estudantes. Confira alguns exemplos:
- descobrir a localização da cidade da antiga Roma, em que época ela foi fundada e como era o estilo de vida das pessoas a partir do mapa atual da Itália;
- montar um plano de treino e um cardápio semanal para ajudar um homem de 42 anos a emagrecer 2 kg em um mês;
- programar um robô para fazer a descarga de lixo eletrônico de uma cidade em miniatura, determinando quantas viagens serão necessárias para cumprir a tarefa;
- projetar um aquário para 5 peixes, que tenha tamanho e água de PH adequados para a espécie;
- criar um plano de reserva financeira, considerando 4 opções de investimento e visando o melhor rendimento possível a longo prazo;
- planejar um passeio para a escola que caiba no orçamento e agrade o maior número de pessoas, escolhendo entre 7 opções votadas pelos alunos;
- diminuir a emissão de gás carbônico de uma cidade em 30%, definindo as mudanças necessárias no transporte e na indústria.
Recursos pedagógicos de ABP

Alguns recursos pedagógicos já possuem situações-problema prontos para a sala de aula. É o caso do Robotis e do Inventura, dois programas do Educacional que promovem a aprendizagem baseada em problemas.
O Robotis e o Inventura incluem:
- planos de aulas com atividades de resolução de problemas;
- kits de robótica;
- orientação pedagógica para a escola;
- e formação para os professores.
Dessa forma, sua escola pode aplicar ABP de uma forma mais ágil e estruturada, com o uso de tecnologias educacionais.
O Inventura é destinado a estudantes do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental, de escolas públicas e privadas. Já o Robotis atende desde a Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental.
Para obter mais informações sobre os programas, entre em contato com um dos consultores do Educacional. Implemente a aprendizagem baseada em problemas na sua escola!
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