Um grande obstáculo para as escolas na missão de desenvolver letramento digital e preparar os estudantes para o futuro mercado de trabalho é o acesso restrito à Internet e às tecnologias digitais, tanto na escola quanto nas casas dos alunos.
Por isso, a inclusão digital é o primeiro passo de uma educação inovadora e de qualidade. Não é à toa que esse é um dos objetivos do Programa de Inovação Educação Conectada e da mais recente Política Nacional de Educação Digital, ambos do Ministério da Educação (MEC).
Se você é gestor escolar, secretário de educação ou professor, você precisa entender a fundo esse tema e colocar em prática algumas ações recomendadas pelo MEC. Então leia até o final para conhecer o cenário digital do Brasil e o papel das escolas na transformação dessa realidade.
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Cenário digital no Brasil
Para falarmos de inclusão digital, é preciso entender o cenário atual do Brasil em relação à conectividade. Vejamos os dados de acesso da população em geral e das escolas:
Uso da tecnologia pela população em geral
A TIC Domicílios 2024 mostrou que o acesso à internet cresceu ao longo dos anos e atingiu 85% das casas localizadas em áreas urbanas e 74% dos lares em áreas rurais.
A pesquisa aponta que sete em cada oito residências têm acesso à internet e a maioria das pessoas se conecta de suas próprias casas, usando principalmente smartphones.
Além disso, 92% do total das pessoas que utilizam a internet, o fazem para mandar mensagens instantâneas, 81% já usaram para fazer chamadas de vídeo, seguidos de 80% de pessoas que se conectam para usar redes sociais.
Outro dado importante é que ao serem questionados sobre o uso para educação e trabalho, 42% dos entrevistados, realizaram atividades ou pesquisas escolares e 40% a usaram para estudar por conta própria.
Uso da tecnologia nas escolas
A pesquisa TIC Educação 2023 revelou um aumento significativo no acesso à internet em escolas de Ensino Fundamental e Médio no Brasil, o que acompanha o aumento do acesso à internet pela população geral.
Em apenas três anos, o percentual de escolas conectadas saltou de 82% para 92%, um crescimento de 10 pontos percentuais.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a presença de internet em espaços de uso pedagógico, como salas de aula. Nas instituições municipais conectadas, o acesso é de 82%.
O VII Estudo Global sobre o uso da tecnologia na educação – relatório Brasil 2022, realizado com o apoio do Ministério da Educação – MEC mostra que quase 43 mil professores responderam voluntariamente a um questionário entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.
A maioria desses professores, 83%, relatou utilizar materiais digitais em suas aulas, e 80% deles acreditam que a tecnologia aumenta a motivação dos estudantes, tornando os conteúdos mais atraentes e interativos.
A pesquisa também evidenciou que 6 em cada 10 centros educacionais utilizam tecnologia nas salas de aula. Além disso, 46% dos alunos afirmaram usar seus celulares para atividades educacionais.
No entanto, de acordo com a pesquisa, o ensino brasileiro ainda enfrenta desafios significativos relacionados à tecnologia e conectividade, além de problemas de infraestrutura. Segundo 73% dos docentes, a falta de dispositivos suficientes é o principal obstáculo para o uso eficaz da tecnologia em sala de aula.
Quem são os excluídos digitais?
De acordo com a TIC Domicílios 2022, a maior parte das pessoas que não usam a Internet no Brasil são:
- residentes de áreas urbanas;
- escolarizados até o Ensino Fundamental;
- pretos ou pardos;
- das classes econômicas D e E (19 milhões);
- de idade igual ou superior a 60 anos.
Como promover a inclusão digital nas escolas?

Segundo a Política Nacional de Educação Digital, as estratégias mais importantes de inclusão digital são:
- desenvolver competências digitais, midiáticas e informacionais;
- promover ferramentas online de autodiagnóstico dessas competências;
- treinar essas competências, incluindo os grupos de cidadãos mais vulneráveis;
- desenvolver e acessar plataformas e repositórios de recursos digitais;
- ter processos de certificação em competências digitais;
- e implantar uma estrutura de conectividade adequada, com acesso à Internet de alta velocidade, bons equipamentos e acesso móvel para professores e estudantes.
Enquanto o último ponto é mais relacionado a questões técnicas e de infraestrutura, os demais são vinculados à finalidade pedagógica do uso de tecnologias educacionais.
Considerando essas diretrizes, podemos extrair sete ações de promoção à inclusão digital nas escolas. Vamos entender cada uma delas a seguir.
1. Melhorar a infraestrutura e a conexão à Internet
O primeiro passo da inclusão digital é garantir o acesso apropriado à Internet, a computadores e a outras tecnologias digitais.
Nas escolas públicas, o MEC oferece apoio técnico e financeiro, por meio do programa Educação Conectada, para contratação de serviços de acesso à internet, aquisição de dispositivos eletrônicos e implantação de infraestrutura para distribuição do sinal, como roteadores e cabos.
Já as escolas privadas devem fazer parceria com fornecedores confiáveis para contratar os serviços de que precisam, incluindo os de manutenção, e adquirir os equipamentos eletrônicos de melhor custo-benefício.
2. Laboratórios de informática e bibliotecas abertas à comunidade
Tendo uma infraestrutura adequada, a escola pode funcionar como um centro de inclusão digital para a comunidade local, recebendo em seus espaços digitais como laboratórios de informática e bibliotecas, não apenas os estudantes e professores da instituição como também outros moradores da região.
É certo que essa iniciativa requer algumas medidas de segurança e organização, mas os benefícios para a formação da comunidade e também para a reputação da escola são expressivos.
Algumas escolas municipais de São Bernardo e São Paulo adotaram essa boa prática nos finais de semana para contemplar atividades educativas e culturais, incluindo cursos de formação digital.
3. Plataformas de aprendizagem
Uma forma de tornar os conteúdos curriculares mais atrativos e ainda desenvolver as competências digitais dos estudantes é incluindo plataformas de aprendizagem na rotina escolar, seja em sala de aula ou em tarefas de casa.
A combinação de experiências de aprendizagem online e offline (ensino híbrido) colabora para a ampliação do conhecimento enquanto aumenta, também, a familiarização dos alunos com as novas tecnologias.
Por isso, considere o uso de plataformas como o Aprimora e o Pense+. Enquanto o Aprimora é destinado ao ensino de Língua Portuguesa e Matemática, o Pense+ combina o ensino de Matemática e STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) no Ensino Fundamental.
O Aprimora conta com um dashboard de pontos acumulados e os estudantes podem acompanhar seu progresso na plataforma e se sentirem motivados para continuar avançando.
Com o Pense+ os alunos adquirem habilidades para projetar soluções, elaborar planos e resolver desafios de maneira organizada e eficaz, alinhando-se às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
4. Aulas de educação digital
Apesar de a tecnologia poder estar presente em todas as aulas, de todos os componentes curriculares, é necessário dedicar algumas aulas para abordar diretamente temáticas de educação digital.
O Currículo de Referência em Tecnologia e Computação do Cieb (Centro de Inovação para Educação Brasileira) é uma ótima base para o planejamento de aulas nesse sentido.
Como o próprio Cieb recomendou, as aulas de educação digital podem ser desenvolvidas de modo transversal, sem a criação de um novo componente curricular para o tema, ou dentro de uma área de conhecimento específica, criada para esse fim.
5. Formação de professores para uso das tecnologias
Como os professores poderão capacitar os estudantes a utilizar e compreender as tecnologias se nem eles forem capazes de fazer isso?
A formação dos professores é primordial. Sem ela, todo o planejamento pedagógico e a infraestrutura disponível na escola correrão o risco de serem subutilizados.
A formação de professores para o uso da tecnologia é um passo fundamental para garantir que os estudantes sejam capacitados a utilizar e compreender as tecnologias de forma eficaz.
Além disso, a falta de formação pode resultar em uma abordagem superficial e limitada da tecnologia, o que pode não preparar os estudantes para as demandas do mundo digital.
Portanto, é essencial que os professores recebam treinamento e apoio contínuo para desenvolver suas habilidades em tecnologia e pedagogia, a fim de criar ambientes de aprendizado inovadores.
Pensando nisso, o Educacional criou o programa de formação para professores Embaixadores da Inovação.
Nesse programa, os professores têm a oportunidade de aprender sobre cultura maker, robótica, programação, ensino híbrido e ludicidade na aprendizagem, utilizando os conjuntos da LEGO® Education.
Eles participam de momentos de formação presencial. No final, eles recebem um certificado internacional da LEGO® Education Academy! Ao longo do curso, os professores exploram novas metodologias para tornar o aprendizado mais interativo e divertido..
6. Oficinas de programação
Outra excelente prática pedagógica é a realização de oficinas de programação para crianças na escola.
Essa aprendizagem é exigida pela Política Nacional de Educação Digital e é essencial para o desenvolvimento do pensamento computacional.
O pensamento computacional é uma habilidade que envolve a capacidade de analisar problemas, identificar padrões e criar soluções lógicas e eficientes.
É uma habilidade essencial para o século XXI, pois permite que as pessoas resolvam problemas complexos e criem soluções inovadoras.
Assim, as oficinas de programação para crianças oferecem uma série de benefícios, incluindo:
- Desenvolvimento do pensamento computacional: as oficinas de programação ajudam as crianças a desenvolver habilidades de pensamento computacional, incluindo a capacidade de analisar problemas, identificar padrões e criar soluções lógicas e eficientes.
- Melhoria da resolução de problemas: as oficinas também promovem o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas, incluindo a capacidade de identificar problemas, criar soluções e testá-las.
- Desenvolvimento da criatividade: permitem que as crianças expressem sua criatividade e imaginação, criando soluções inovadoras e originais.
- Preparação para o futuro: preparam as crianças para o futuro, pois a tecnologia está cada vez mais presente em nossas vidas e ter habilidades em programação pode ser um fator de destaque no mercado de trabalho.
7. Clubes de robótica
Assim como a programação, o ensino de robótica na escola é exigido pela Política Nacional de Educação Digital e faz parte da construção do pensamento computacional.
Por isso, ter clubes de robótica na sua instituição é altamente recomendado, tanto para a aprendizagem quanto para a socialização dos alunos.
Participar de um clube aumenta o engajamento dos jovens no ambiente escolar e favorece a participação da escola em torneios de robótica, como o FIRST®LEGO® League. Quer ajuda para promover a inclusão digital em sua instituição? Entre em contato com um consultor do Educacional.
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